
Se doeu tem que falar. Se incomodou tem que explicar. Se tá ruim tem que ajeitar. Se estragou tem que consertar. Ou então jogar fora. Entende? Não dá pra passar a vida inteira com as coisas entaladas na garganta, feito espinha de peixe que não desce e arranha toda vez que a gente engole.
Me diz logo o que você sente. Vamos acabar com esse joguinho de adivinhação. Tenho a péssima tendência em ver amor, onde só há atração.
Parei de implorar companhia dos outros, se quiser ficar fica, se não quiser ADEUS.
Sinto falta do ontem, e do jeito que costumava ser, e não posso voltar no tempo, mesmo se eu tentasse.
Vivemos esperando, dias melhores, dias de paz, dias amais. Dias que não deixaremos para trás.
Escrevo por que ninguém quer mais me ouvir. Escrevo por ter a garganta cortada e o telefone também. Escrevo por não ter amigos, nem um horário com o psiquiatra. Escrevo por não ter companhia nas noites geladas de julho - as buzinas dos carros na avenida param de gritar, os pássaros já não voam e as almas também. Faço silêncio, sou silêncio, logo, escrevo. Escrevo para mim, e muitas vezes para ninguém. Escrevo para parar no lixo, outrora o coração. Escrevo por escrever, escrevo por não conseguir viver. Se lhe agrada ou não, sinto muito, às vezes nem a mim eu consigo.